LISBOA LISBON LISSABON
Tantos nomes porque usamos três línguas aqui nesse
apartamento em Lisboa. Fora muita coisa escrita em alemão pelo dono da casa, um
jovem português que nos surpreendeu. Esperava um senhor velho como senhorio.
Mas é um jovem culto, morador dessa nossa residência interina cuja
personalidade está escrita/ descrita em todos os detalhes da decoração e no
conteúdo. Livros em várias línguas (português, inglês, francês, alemão). Música
até em LP. Filmes em DVD. Fotos pessoais. Quarto da filha. Pequenos objetos colecionados
e m viagens ou catados em lojas daqui. Um bric-a-brac cheirando a lar. Um
mistério para um conto. Porque ele aluga e sai da casa? Está divorciado, viúvo,
precisa de dinheiro? Para onde vai quando não está aqui? Amanhã vai a escalar
um monte e veio a buscar as cordas e equipamentos necessários para alpinismo,
guardados aqui num baú.
| Estante de livros e objetos na sala |
Dia calmo. Jan diz que hoje é o dia de aterrissar.
Sentir a casa e os arredores. Bairro antigo, mas não histórico, lembra nossas velhas cidades brasileiras, como
Olinda. Casarões de azulejos. Vida pacata de interior. Uma cidade sem pressa e
sem azáfama. Sem lufalufa. Um giro!
| A personalidade desse apartamento. |
Fomos à esquerda ao Pingo Doce, o mesmo
mercado de Estremoz, comprar alguma comida, cerveja, vinho e vinho do Porto.
Fomos para o outro lado mais perto do Tejo. Descobrimos como nos locomover. Tem
ônibus, metrô e taxi barato.
Ouvimos Tom Jobim e Ary Barroso. Lemos Fernando
Pessoa.
Aliás estou encantada com o livro de Zé Paulo.
Foi
uma pesquisa de muito anos. Ele visitou cada lugar da vida de Pessoa como
descrito nos poemas para deduzir a verdade de cada frase, fase, lugares,
amigos. A Tabacaria? Acho que ele descobriu onde era, diferente de todos outros
autores, porque conseguiu ver o local do quarto onde Pessoa escrevia. Por isso é quase
uma autobiografia. A vida de Pessoa contada por ele através dos seus poemas.
Entre aspas fala Pessoa, sem aspas, fala Zé Paulo. Acho que é uma leitura obrigatória
para quem gosta dele Pessoa.
| Uma mesa de escritor e o livro perfeito de Zé Paulo. |
Não sei quantos anos passou no rastro dos poemas,
documentos e lugares para entender sua vida. Lembra Heinrich Schliemann que
descobriu Tróia, porque era apaixonado pela história desde criança, aprendeu
línguas incluindo grego para ler os antigos e com os livros Ilíada e Odisseia
na mão, baseando-se apenas na descrição minuciosa do local, achou a cidade que
era até então uma lenda e um sonho na sua imaginação.
Admiro essas pessoas que lutam por um sonho louco e
por uma paixão.
O ambiente da sala onde estou agora escrevendo é um
ambiente perfeito para um escritor. Mesmo dentro da cidade é tão calmo que dá
para ouvir os pássaros. Tem um jardim com um recanto agradável onde vamos tomar
café amanhã e uma rede. Jan vai também aguar o jardim. Como vocês percebem
somos cidadãos do mundo com esses lares sem lugar mas também somos caseiros e
adoramos esse não fazer ou deixar acontecer.
| Nossa rede temporária em Lisboa. |
Ele está tão bem, saudável, alegre, disposto,
agradável e carinhoso. Fiquei tão feliz em vê-lo assim completamente
recuperado. De uma pneumonia braba. Esse hoje já valeu minha viagem!
Saudades e muito carinho por todos vocês que torcem
por minhas aventuras. Vocês e elas, as aventuras, fazem valer a pena viver!
| Sapatos holandeses para o pequeno jardim. |
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