segunda-feira, 13 de julho de 2015

PARTE IV - TEMPEROS E DESTEMPEROS

Primeiro quero dizer que o rítmo de vida aqui é totalmente diferente e que a energia para fazer qualquer coisa depende do calor ou do frio. Como num deserto ou no sertão pernambucano a tempertura vai de frio de manhã a muito quente como agora, cerca de 38º do lado de fora. Dentro é melhor por causa dessas grossas paredes isolantes. E na cozinha temos o climatizador primitivo mas eficiente de Jan inventor. Um ventilador soprando num grande pedaço de gelo colocado sobre uma grelha e um depósito plástico. De verdade faz uma diferença. Mas amanhã vamos à Évora comprar um ar condicionado, por incrível que pareça para a cozinha primeiro. O local dos temperos e dos destemperos.
O mata-moscas e o climatizador improvisado.

Não falei de temperos como de sal e pimenta mas como de momentos agradáveis e de brincadeiras. Destemperos são as pequenas brigas, as discussões necessárias para o ajuste de um casal de certa idade cada um do qual acostumado a morar só e a ter sua própria rotina. Rotina até no gosto pelas refeições ou no local onde colocar facas, tesouras ou papéis. No jeito de decorar, na arrumação dos livros, nos horários, até vi outro dia no facebook, na maneira de pendurar o papel higiênico.

O rolo desenrolando para que lado? Ridículo? Sim, mas isso se chama cotidiano. E também se chama construir uma maneira de viver.

Em geral temperamos mais do que destemperamos. Jan tem pavio curto. Eu sou distraída. Ele é organizado, eu deixo tudo aberto. Não fecho portas de armários, às vezes fecho bem a da geladeira. Não coloco tampas, não devolvo as coisas para o lugar correto.

Agora mesmo o cheiro é de temperos: cebolas para hambúrguer com batatas fritas. Jantar bem trivial. Jan é o cozinheiro. Pergunto quer ajuda, ele diz não, quero apenas o seu amor. Que ele já tem.

Algumas pessoas dizem que não é bom falar de felicidade. Eu não sou supersticiosa e adoro falar de coisas boas. Esquecer coisas ruins sempre.

Terminamos nosso jantar comum, fomos sentar embaixo da palmeira agora quase morta, fotografamos a paisagem, o castelo de Evoramonte ao longe, o dia ainda claro. Nove horas da noite e ainda muita luz.  Mandei mensagens para todos os meus queridos amigos do Brasil.
O castelo de Evormonte visto do terraço da frente. Não é lindo? Às nove horas da noite?



Feliz. "A perfect day" a canção de Lou Reed que é a nossa música. Porque ouvimos Ari Barroso o dia inteiro, cerca de 25 discos, toda a sua obra exceto por 16 músicas que ainda não foram gravadas e mais um repertório completo de Mozart, algumas músicas de Handel. Uma mistura de brega e de intelectualidade que parece eterna e diz um bocado sobre nossa vida aqui nessas paragens.

Amo tudo isso. Para sempre.

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