quarta-feira, 22 de julho de 2015

PARTE VII - UM DIA EM ESTREMOZ

Um dia em Estremoz é uma aventura para quem leva essa vida pacata em Monte da Fazenda onde cada dia arrumamos um pouco, ouvimos música, eu trabalho, Jan escreve, tomamos cerveja e vinho depois das cinco e jantamos nossos deliciosos quitutes feitos em casa.

Estremoz é uma cidade no distrito de Évora, aqui no Alentejo, conhecida pelas suas jazidas de mármore branco que podemos ver ao longe no caminho ou andando na direção do Pingo Doce, nosso mercadinho favorito. A exploração desse mármore é antiga, desde o tempo dos romanos e da construção do templo de Diana em Évora. 

A vista da cidade na chegada é deslumbrante com a visão do castelo da Rainha Santa Isabel, hoje uma pousada no circuito histórico das pousadas portuguesas. E das muralhas da cidade antiga. Santa Isabel é a santa do milagre das rosas. Sendo uma mulher piedosa a rainha saiu do castelo numa manhã de inverno para distribuir pães aos pobres. Foi surpreendida pelo marido soberano Dom Dinis que lhe perguntou o que levava no regaço ao que a rainha respondeu: "São rosas, Senhor!". "Rosas em janeiro?", em pleno inverno. Dona Isabel mostrou então o conteúdo do seu vestido e nele havia rosas ao invés dos pães que escondera.
Assim está escrito na Crónica dos Frades Menores, de Frei Marcos de Lisboa, 1562: "levava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres(...) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava,(...) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas."
Na praça em frente ao castelo/ pousada há uma enorme estátua branca dessa santa dominando a linda paisagem sempre de céu azul, com colinas verdes à distância.


Estátua da rainha Santa Isabel.
Queria ir cuidar dos cabelos e fazer unhas que não devo me transformar numa camponesa descuidada (o calor ajuda mesmo). Tenho uma cabelereira em Estremoz, Fernanda, como tenho em cada cidade do mundo onde estou. Soa um pouco sofisticado mas dependo disso. Primeiro andamos pela praça, não a praça principal onde acontece o mercado nos sábados, mas numa linda praça lateral, perto de uma fonte, com arvoredo e muita sombra, com flores, um jardim cuidado e internet grátis. Adoramos andar em lugares assim onde a natureza é convidativa. E o que pode ser melhor do que num lugar desses simplesmente se deixar ficar num banco olhando o entorno ou o nada. E se deixar ficar vazia de pensamentos. 
O silêncio é uma parte importante da comunicação entre pessoas que se amam.
Andando descuidados pelas ruas estreitas e comerciais ainda vazias dos turistas, encontramos uma mercearia/ café/ restaurante: A Gadanha. Gadanha Mercearia. Esse restaurante é aparentemente modesto, com um garçon jovem e simpático, um menu na porta não tão barato como outros restaurantes da pequena cidade. Decidimos ficar lá, sentados na esplanada.
A esplanada extremamente tentadora.
Primeiro tivemos um couvert normal mas a manteiga de ervas era deliciosa e o pão vinha dentro de um saco bordado. Já começamos a gostar. Uma garrafa de água porque água é absolutamente necessária nesse sol e nesse calor. A água mineral aqui é muito boa.
Decidimos separadamente o mesmo prato: um carpaccio de vitela e  a surpresa foi maior do qualquer expectativa. Foi talvez o melhor carpaccio que comi. Queijo parmesão de verdade. O que é muito difícil de encontrar por aqui com caviar de pimenta. Nunca tinha ouvido falar mas estou tentando aprender na internet. Pimenta vermelha e verde, bolinhas gelatinosas deliciosas e lindas.
https://www.facebook.com/gadanhamercearia/


De modo que amamos a descoberta desse maravilhoso restaurante, o número 49 na lista dos melhores do mundo. Número 2 em Lisboa, de acordo com o Trip Advisor.
O que só sei agora depois de procurar pala receita de caviar.
Ainda pedimos café (bica) e pastel de nata diferente dos de Belém mas igualmente divino.




A linda entrada lateral desse agora nosso restaurante.

Jan Kremer na esplanada começando com cerveja.
Adorando o lugar (uma selfie).
O caviar de pimenta vermelha e verde.

Depois dessa comida maravilhosa andamos no sol, para o mercado Pingo Doce fazer nossas compras da semana e chamar o nosso motorista favorito, Mr. Balls, que sabe muito sobre tudo e fala o tempo inteiro no caminho mas é a pessoa mais incrível e prestável que conheço nesse lugar.
Saindo de Estremoz andando por esse túnel lindo.




Feliz (outra selfie).
A paisagem com o monte de mármore branco ao fundo.
Ele me ensinou mais uma árvore local, a amendoeira.

2 comentários:

  1. Prima,
    Estou amando ler os seus textos. Bastante atraentes, com as minúcias e filigramas que se tornam enriquecedoras. Achei bem o seu perfil a nenessidade da cabelereira e a sensualidade estética de se deixar embevecer pela beleza dos Restaurantes. Pelo que disse, vc e Jam são bem parecidos.
    Beleza essa sua vida!!! Encantadora!!!!!
    Beijossssss, felicidades!!!..

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