E porque era sábado resolvemos ir ao Oceanário dito o melhor do mundo.
 |
| A linda marca do Oceanário de Lisboa. |
Não posso dizer que é o melhor do mundo mas sim que vale a pena a visita e que principalmente a arquitetura moderna do complexo onde se situa o oceanário é estonteante. Não tinha ideia da capacidade e da imaginação dos criadores desse local. Chegamos de metrô (sempre compramos passe para um dia) ao parque das Nações na frente do shopping Vasco da Gama que já é deslumbrante pela sua construção lembrando um navio e temas marítimos. Parque das Nações é um bairro surgido no local onde foi realizada a Exposição Mundial de 1998 e que abriga várias instituições culturais e desportivas, inclusive uma marina.
A arquitetura contemporânea, os espaços de convivência, todo o projeto de requalificação urbana dessa área, que era originalmente uma zona industrial até os anos 90, assombra o visitante pela grandiosidade e pela beleza de todo esse complexo.
 |
| A Gare do Oriente e a beleza de sua arquitetura moderna |
A própria estação do metrô Oriente já surpreende pela beleza e pelos painéis artísticos decorando suas paredes. Essa estação, a do Oriente ou de forma mais chic, a Gare do Oriente, tem abóbodas nas plataformas e foi desenhada por Santiago Calatrava, arquiteto espanhol, premiado por esse trabalho e com obras em várias cidades do mundo.
Aqui o trem do metrô é chamado de comboio e os carros de carruagens. Como era um sábado todos os comboios tinham apenas três carruagens. Mas o horário é perfeito assim como a limpeza, a manutenção e a organização.
 |
| Vista panorâmica dessa belíssima estação de comboios. |
Entramos no shopping Vasco da Gama sem ter nenhuma noção do que nos esperava. É preciso atravessar esse centro de compras para chegar ao Parque das Nações.
 |
| A estação Gare do Oriente, belíssima |
Na saída nos deparamos com a vista do Tejo que abraça Lisboa como um pai carinhoso. Nos surpreendemos com a grandeza e a originalidade da arquitetura local e com a visão de um inesperado teleférico que transporta os visitantes de uma ponta à outra da área da antiga exposição. Morri de vontade de passear nesses carrinhos pendurados mas Jan não gosta de altura e desistimos desse passeio.
No caminho do rio havia uma feirinha de artesanato com os artigos habituais e como sempre de gosto duvidoso.
 |
| Teleférico somente para apreciar o Parque das Nações. |
Andamos pela calçada para a direita e encontramos o pavilhão de Portugal, construído por um arquiteto português Álvaro Siza Vieira. Na entrada um enorme espaço livre, um enorme vão livre de concreto (betão, a palavra em português local para concreto), usado para festas e eventos. A ideia é de uma folha de papel pousada em dois tijolos. Como esses portugueses são criativos e como são capazes de realizar coisas lindas desde que não ocupam mais o tempo conquistando novas terras. Ao mesmo tempo o país está às voltas com problemas financeiros e com um bocado de corrupção no governo. Esse pavilhão divinamente lindo ia ser vendido como foi anunciado nos jornais portugueses em março de 2015. Finalmente a decisão governamental foi a de doação da construção à Universidade de Lisboa que será responsável pela sua manutenção e uso adequado.
 |
| Uma folha de papel em betão. |
Há também nesse complexo arquitetônico e cultural um Pavilhão do Conhecimento, com certeza nunca visitado por Lula, Maduro ou Dilma, que não sabem de nada, nem do significado das palavras. Nele está abrigado um museu de ciência e tecnologia com várias exposições interativas.
 |
| O espaço livre inspirado numa folha de papel suspensa. |
E de repente surge à nossa frente, dando para o rio e cercado de água o lindo edifício do Oceanário de Lisboa.
 |
| Primeira visão do oceanário que lembra um porta-avião. |
Com uma enorme fila em zig-zag, com turistas de todas as línguas e famílias portuguesas, com alunos de escolas e com um grande número de deficientes físicos incluindo um rapaz transportado numa maca. O Oceanário é de uma beleza incrível, difícil de descrever sem palavras arquitetônicas adequadas, pensado nos mínimos detalhes.
A área total é de 20 mil metros quadrados, com 7.500.000 litros de água com mais de 30 aquários e 8.000 organismos vivos de 500 espécies diferentes, entre animais e plantas.
O aquário central representa o oceano global e ainda existem mais quatro diferentes aquários que representam o Atlântico norte, o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico temperado e o Oceano Índico tropical.
 |
| Escamas de peixes numa parede: perfeito e lindo. |
 |
| Meu querido turista e companheiro em tudo. |
Uma parede branca tem um revestimento lembrando escamas de peixe e é linda.
Há uma enorme fonte ao longo de toda uma parede ao lado.
Essa parede faz parte do Edifício do Mar, um acréscimo ao oceanário de Lisboa, projetado por um arquiteto português, Pedro Campos Costa.
Nesse prédio fica a recepção para os visitantes em filas enormes. A parede de fontes faz parte desse edifício.
 |
| Vejam que ideia linda e acolhedora. |
Antes de entrarmos na fila sentamos à sombra de árvores em bancos de concreto pintados em listas coloridas, baratos, tão simpáticos e convidativos. Nesse sol português estamos sempre procurando sombras. No Oceanário entramos por uma passarela, que não é uma rede e portanto à prova de presidentes desajeitadas. Há informações sobre todos os oceanos e sobre a vida marinha, escritas em vigas no teto, em português e inglês.
 |
| A passarela à prova de presidentes atarantadas. |
Dentro é um aquário que não precisaria de descrição porque como todos os oceanários mostra as diferentes formas de vida marítima nas diversas profundidades com mais luz ou sem luz. Janelas de vários tamanhos para examinarmos os entes habitantes dos vários oceanos e a cada nível um jardim aberto que pode ser polar com gelo, frio e pinguins ou tropical com palmeiras e plantas características.
 |
| O gelo, o frio, os pinguins. |
 |
| Um jardim tropical. |
 |
| A deslumbrada feliz. |
Pequenas janelas para corais, cavalos-marinhos ou estrelas-do-mar. Umas duas horas de visita e demos por visto esse local considerado o maior do mundo. Não tenho certeza porque já visitei alguns outros e o de Arnhem me impressionou especialmente porque as arraias nadavam sobre as nossas cabeças.
Sempre penso no tipo de vidro que aguenta toda essa carga de peso d'água, imaginando uma explosão. A água e os tubarões se misturando ao público numa cena daqueles filmes de catástrofe que estiveram tão em moda na época do filme Tubarões.
 |
| O incrível e enorme Peixe-Lua. |
Nada disso aconteceu, com certeza, senão estaríamos em notícias no Jornal Nacional da Globo desse dia. E depois iríamos sobreviver já que somos atletas e sabemos nadar e mergulhar como golfinhos.
De todas as espécies adorei ver o peixe-lua que estava presente em todos os vidros do seu nível, gordo e paradão, flutuando imponente entre seus amigos. Ou os cardumes de pequenos peixes que formavam uma verdadeira esfera boiando em conjunto.
 |
| Cardumes parecendo uma esfera e uma arraia. |
O tubarão zebra que nunca tinha visto. As arraias gigantes com seus olhos de farol e que perdi de fotografar uma que nadou na minha direção, de frente, cara a cara ou olhos com olhos. As lontras brincalhonas que pareciam rir de nossas caras de turistas.
 |
| Duas lontras brincando ou quem sabe namorando. |
Andamos de volta observando o cenário sempre imponente, as torres de edifícios gêmos do shopping como se fossem parte de uma navio. E não deixamos de ver a Marina Parque das Nações com 600 locais para atracação de barcos e toda a infraestrutura necessária para competições náuticas, situada no estuário do Tejo.
 |
| O Oceanário de Lisboa. Vejam a beleza do projeto. |
 |
| Desenho do projeto. |
Só na volta prestamos atenção nos detalhes do Oceanário, projetado por um arquiteto norteamericano, Peter Chermayeff, especializado na construção de aquários em vários locais do mundo.
O pavilhão projetado, como já disse, lembra um porta-aviões e está instalado num cais rodeado de água.
 |
| O mascote do Oceanário é o boneco Vasco: o Vasco é boa onda. |
O tema da Expo 1998 realizada em Portugal e para a qual o parque da Nações foi construído foi: "Os Oceanos. Um Patrimônio para o Futuro". Tema marcado pelo espírito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Montego Bay, 1982) que proclama que o espaço oceânico constitui um todo dinâmico, em interação com os continentes, o fundo do mar e a atmosfera, ideia consolidada dez anos depois na Conferência sobre o Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992.
No Rio situou-se a relação do Homem com o Mar num quadro normativo de inspiração ecológica e regras para as gerações futuras.
O que não parece ter sido compreendido na própria cidade séde da Eco 1992 dado o estado lamentável das suas águas na espetacular baía da Guanabara condenada pelos atletas e pelos países que vão participar das próximas Olimpíadas. E nem compreendida pela humanidade que continua a encher de plásticos nossos oceanos condenando à morte várias espécimes marítimas. O objetivo final de um desenvolvimento sustentável não é possível sem a informação necessária e a adesão de cidadãos interessados nessa proposta de qualidade de vida e preservação das boas coisas do nosso planeta.
Chermayeff diz que sua concepção de oceanários é fruto de uma longa pesquisa "mais experimental e mais emocional ou poética, como se quiser, do que arquitetônica ou mesmo científica". Ele diz também: "quando me envolvo na construção de edifícios cujos objetivos são a apresentação de exposições públicas, empenho-me mais em formas de comunicação que são visuais e emocionais do que didáticas e intelectuais." O que combinava com a ideia portuguesa de impressionar os visitantes no breve espaço de um percurso. E que funcionou perfeitamente para nós. Do lado lúdico da questão fiquei encantada com os programas oferecidos às crianças, tipo concertos sob a água, ou passar a noite dormindo com tubarões em hotéis que não vi e não imagino como são.
O boneco-mascote chamado Vasco está presente em todos os locais e nas lembranças da sempre presente loja para os visitantes e tem um mote: o Vasco é boa onda. Tão diferente do mascote da Copa Mundial de Futebol realizada no Brasil onde Fuleco, o mascote gerou tantas críticas e piadas, depois do mau gosto da escolha (aliás perfeita para um governo petista).
Fuleco segundo o Aurélio é um apelido para o ânus, o mesmo que cu. Vai tomar no fuleco, fuleco de bêbado não tem dono, passarinho que come pedre sabe o fuleco que tem. O outro significado: ação de fulecar, ato de perder no jogo. Por isso também perdemos no vergonhoso 7 x 0 para a Alemanha. Alguém explica quem inventou e quem aceitou esse nome para o mascote?
 |
| Vista do Shopping Vasco da Gama pelo lado do Tejo. |
No caminho de volta tivemos essa impressionante visão do shopping Vasco da Gama com suas duas torres e a parecença com um navio. Até nos banheiros esse tema é mantido porque o fundo da longa pia com várias torneira é de vidro e embaixo aparecem biquinis, sandálias, pulseiras de praia, areia, estrelas do mar.
Outras fotos tiradas no caminho de volta que mostram como esse local atrai e como vale a pena ser visitado.
 |
| Outra vista do oceanário redeado de água. |
 |
| O oceanério visto pela lateral. |
 |
| Outra visão do oceanário e sua passarela de entrada. |
 |
| O Oceanário com a vista ao fundo da Arena MEO. |
 |
| A passarela. |
Em abril de 2011 foi inaugurado um novo edifício, o Edifício do Mar, de autoria do arquiteto Pedro Campos Costa, concluindo a expansão do Oceanário. Esse prédio tem essa fantástica fonte na lateral e tem uma área dedicada a exposições temporárias, uma área de recpção aos visitantes, um auditório e um restaurante, o "Tejo". Esse é o belo edifício das escamas de peixe na parede.
 |
| Corredores amplos sombreados e com linda vista. |
 |
| Corredor e o teleférico ao fundo. |
 |
| Os prédios do shopping lembrando chaminés de navio. |
 |
| Outra vista do complexo Parque das Nações. |
À esquerda a emblemática Torre Vasco da Gama, o edifício mais alto do país, com 140 metros de altura, construída também para a EXPO 98, a exposição mundial de 1998. No alto da torre havia um restaurante de luxo com vista panorâmica sobre o rio Tejo e a cidade de Lisboa. Desde novembro de 2012 a torre funciona como hotel de luxo da cadeia Sana.
 |
| O prédio mais alto de Portugal, hoje um hotel de luxo. |
 |
| Vista da arena com os largos passeios convidativos. |
 |
| O mesmo edifício hotel. |
 |
| Uma mulher encantada e feliz. |
 |
| Nós dois, parceiros de aventura voltando para o hotel. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário