LISBOA –
DIA DOS TERRAÇOS
Esse era
o dia da Torre de Belém e do pastel de nata. Como sempre os acontecimentos
falam mais alto que os planos elaborados na noite anterior.
O dia
sempre começa com o cheiro do café trazido do Brasil e muito forte.
Tão cedo
que ficamos em casa fazendo hora para sair. Esse cedo na realidade era 9 horas.
Andamos
para a estação Santa Apolônia, perto do Tejo onde as ladeiras atrás de cada
curva são menos íngremes. Nessa direção o clima é a mistura de sol quente com
brisa refrescante. Fresco também nas sombras. Calçadas estreitas onde andamos
em fila. Nas largas andamos como adolescentes enamorados.
Era como
já falei o dia de Belém. Mas resolvemos ir primeiro à XL Factory, no domingo
com o XL Market funcionando. Queríamos o mesmo clima de Portobello Road em
Notting Hill, Londres. Fomos de taxi o que permite ver a cidade incrivelmente
pacata. Poucos carros na rua. Pessoas sem pressa. Alguns sentados nas calçadas
em conversas de velhos.
O lugar
é bonito, mas chegamos cedo demais. Poucas pessoas andando e sem as extravagâncias
das feiras de outros locais. Poucas barracas também e poucas coisas
interessantes para vender. Primeiro demos uma olhada geral. Jan disse deixemos
os detalhes para depois. Aí vi o que iria comprar.
Tem uma livraria de livros
de segunda mão interessante com uma parede alta repleta de livros, com duas
escadas e um corredor no alto.
 |
| A bela estante de livros na XL Factory. |
Quem se lembra de Cinderela em Paris vai se lembrar desse tipo de livraria.
Tenho fotos de lá também. Demos uma vista d’olhos nos livros expostos e sentamos para café (Jan), suco de laranja (eu) e claro pasteis de nata. Essa parada entre atividades para tomar café faz a gostosura de cada passeio.
Compramos livros. Todos os livros lá custavam 10 euros. Jan comprou algum de Fernando Pessoa, eu um livro de aprendendo filosofia em seis horas e meia que será perfeito para o tempo do avião na volta.
 |
| Jan procurando livros interessantes. |
De tudo da
feira gostei mais da tenda de panos africanos onde comprei um para a mesa dos
sábados no almoço. Também comprei cadernos encapados e pegadores inúteis. Tinha
caixas decorativas artísticas que eram quadros para parede e muito bonitas mas
difíceis de carregar. Esqueci de dizer mas vocês podem ver nas fotos que Jan
carrega sempre uma sacola, vermelha em Lisboa, onde colocamos tudo que
compramos.
 |
| E eu procurando também. |
Cheirei sabonetes artesanais em barra que não me apeteceram. Olhei
maxicolares e outras tantas bugigangas. Muitas tendas de roupas de segunda mão
onde os jovens paravam para comprar. O clima bem menos animado que o das feiras
de fim de semana.
A melhor
ideia foi então sentar num bar, numa calçada, no primeiro dos terraços. Jan pediu
cerveja e eu uma caipirinha. Quando perguntei de que fruta fiquei toda animada
porque o garçon disse lima. Lima no português daqui é limão. Aí pensei em
Paulinho e tentei até telefonar mas era dia de regata e ninguém me atendeu. Ou
ainda era cedo e vocês, meus filhos, estavam a dormir.
 |
| Sentados num bar olhando o movimento. |
Sentados
no terraço de um bar você tem tempo de observar as pessoas e o ambiente. Na
parede de uma das lojas que o local tem pequenos restaurantes, cafés, livrarias
e casas de arte, vimos um enorme buraco na parede sem forma alguma, mostrando
as entranhas de tijolos velhos. Ao lado uma figura de gesso de um bebê subindo
a parede. Uma decoração imaginativa que o local é destinado a criação e à arte.
 |
| O buraco de tijolos na parede e o bebê escalando. |
 |
| Criativo e surpreendente. |
 |
| Pastel de belém, o lugar mais famoso para essa iguaria. |
Saímos
atrás de uma taxi. Pedimos a Torre de Belém ao motorista, mas no caminho,
conversando, desviamos para a Casa do pastel de Belém. Aí tinha gente, uma enorme
fila de turistas para conseguir um lugar e o rabo da fila era longe da porta de
entrada. Tirei uma foto e nenhum pastel.
 |
| Mosteiro dos Jerónimos. |
Fomos então para o Mosteiro dos
Jerónimos que é uma construção branca verdadeiramente incrível e linda.
Construído em homenagem ao Infante Dom Henrique pelo Rei D. Manuel I e doado à
ordem dos Jerónimos é patrimônio da humanidade.
Toda a construção é do século XVI e os portais tem uma mistura de
santos, arcanjos e nobres. O portal Sul mais luxuoso representa Nossa Senhora
de Belém com o Menino, São Jerónimo com vestes de cardeal, como penitente no
deserto, arrancando o espinho da pata do leão, uma multidão (de verdade), de
profetas, apóstolos, doutores da Igreja e algumas santas. Ainda vemos lá o
Infante Dom Henrique e o Arcanjo São Miguel.
A porta principal tem estátuas de São Jerónimo, do Rei D. Manuel I, da
rainha D. Maria e de São João Batista, além de cenas do nascimento de Cristo. O
mosteiro é também a Igreja de Nossa Senhora de Belém. Para os que não conhecem vale a pena uma busca
na Internet.
 |
| Sentada no portal principal da Mosteiro. |
 |
| Outro ângulo dessa bela construção. |
 |
| Fantástico esse mosteiro. Todos os ângulos são belos. |
 |
| Jan na frente do mosteiro. |
 |
| Foto à distância. |
A praça
que se abre em frente tinha uma alameda de árvores com flores lilás-azuladas e
era convidativa a um passeio. Fomos
através dela até a margem do Tejo e aí estávamos no nosso ambiente preferido em
Lisboa depois da Brasileira. O largo rio com cheiro de mar, marinas, praças,
avenidas também largas e vazias, carros parados nas calçadas (estranhos
portugueses), cafés com mesas do lado de fora.
 |
| Jan atravessando, eu atrás fotografando. |
E finalmente, depois de atravessarmos
essa grande avenida por uma ponte estreita estávamos na Torre de Belém! Essa
visita valeu a pena. A vista é indescritível, a construção é belíssima, suas
janelas estreitas com vista para o rio-mar e suas praias do entorno de areia
escura e pedras. Vários andares e muitos degraus para subir e mais facilmente
descer. Pequenos canhões. O terraço com um muro típico de castelo/ fortaleza,
fendas estreitas com largura para sentar. Eu sentei, Jan não gosta de alturas.
Construída também em 1500 e alguma coisa é um baluarte de defesa à Lisboa. Foi
o dia em que mais amei Lisboa.
 |
| Torre de Belém. |
Andando
pela margem do Tejo chegamos ao segundo terraço-café do dia para uma cerveja e,
claro, apesar de não combinar nada, pastel de nata para mim. Acho que foi o
melhor que comi, esse lá em Belém.
 |
| Deixando a Torre para trás. |
 |
| Monumento aos Descobrimentos. |
Outra construção que se destaca na paisagem é o Monumento aos Descobrimentos ou Monumento aos Navegantes, construído na década de 40 e refeito e inaugurado em 1960. Essas
paradas são boas para conversar e planejar o próximo passo, que foi, através
dessas praças arborizadas chegar ao terceiro terraço-café. Não pensem que era
uma andada de bêbados a procura de bares. Era sede e calor numa umidade
altíssima. E também gastar o tempo e aproveitar essas férias gostosas. Tomamos
cerveja ambos, de novo um pastel de nata com canela, observando as pessoas nas
mesas, mais portugueses que turistas. Vale a pena acrescentar que os
terraços-café são chamados de esplanadas e o que se pede neles é mais caro que
o que se come dentro do restaurante ou no balcão. Vale a pena com certeza.
 |
| Rossio, em Lisboa. |
Continuamos
andando pelos jardins, atravessamos de volta todo esse caminho, voltando ao
metrô para a praça Dom Pedro IV, mais conhecida como Rossio, centro de Lisboa para cafés, cervejas,
restaurantes e compras.
Aí fomos
almoçar e comemorar finalmente o aniversário de 60 anos de Jan, acontecido no
dia 2 de junho em Évora Monte.
 |
| No Nicola, excelente restaurante e café. |
Ao acaso
escolhemos o quarto terraço café ou a quarta parada numa esplanada lisboeta. Era o Café Nicola, um café restaurante cheio de história, frequentado pela elite intelectual portuguesa, incluindo Bocage. Temos uma coleção de xícaras de cafezinho desse local, compradas em feirinhas bric-à brac em lisboa. Comemos e nos fartamos, eu com um prato repleto de enormes camarões com arroz
de tomate, Jan com uma picanha à brasileira, acompanhada de arroz, feijão,
batata frita e farofa! Que ele amou! Comida maravilhosa, como sempre com uma
garrafa de vinho da casa. Esses bares nas ruas tem sempre pessoas vendendo bugigangas
que temos que afugentar ou músicos tocando sem licença de nossos ouvidos que
passam o chapéu à moda antiga. Jan sempre dá dinheiro a esses mas se irrita com
os vendedores. Eu sou curiosa com as bugigangas e às vezes peço, vejo, remexo
para comprar. Nesse dia pedimos ao tocador de violão e gaita que tocasse para
nós um parabéns. Nesse clima de felicidade, rindo de bobeira, nos abraçamos e
beijamos ali em plena rua, como adolescentes encantados.
 |
| Nosso músico predileto no Nicola. |
 |
| Alegria, alegria! |
 |
| Sem comentários. |
Tudo
passa, esse tempo passou, mas não o clima, terminado em outra de nossas estadas
noturnas, com queijo São Jorge e presunto curtido serrano, alguma cerveja e
muito vinho do porto que tomamos como vinho tinto e não em cálices de
digestivo. Lembro que ficamos na cozinha, que Jan falava e falava, que estava
divertido comentando tolas filosofias de vida, que era uma conversa inútil e
calorosa, que até fingimos comer um bolo de rolo inteiro só para fotografar.
Que seus copos de cerveja eram grandes e os meus pequenos. E que antes de
dormir brindamos com vinho do porto.
Um lindo dia. Parabéns!
ResponderExcluirPrima,
ResponderExcluirA felicidade estampada em sua face dá uma boa certeza de que o passeio foi extremamente maravilhoso. O casal de "adolescentes" aproveitaram bem o dia. Você dá um banho de descrição Histórica/ cultural, entremeado de aventuras e de deslumbramentos diante do espetáculo visto. A saída das regatas, o pastel de nata delicioso, as paradas, as conversas refrescantes constituíram , como sou capaz de imaginar, uma maravilha que não se tem todo dia.
Verdadeira aprendizagem de civilização para mim.As fotos fantásticas retratam o que foi visto e vivido. Estou encantada..... Que venham mais e mais. Beijos e abraços, Eliana
Obrigada à minha querida prima e incentivadora e a meu braço direito Mariana!
ResponderExcluir