domingo, 30 de agosto de 2015

PARTE XVII - OUTRO DIA EM ESTREMOZ

Outro dia em Estremoz, outra quinta-feira nessa cidade próxima cuja vista deslumbra aos olhos. As vinhas à beira da estrada, o castelo e suas muralhas ao alto.
A colina, o castelo e as vinhas.
Portugal tem em torno de 800 castelos. Cada colina tem seu castelo. Cada pequena cidade tem seu castelo, sempre num elevado. E o de Estremoz não é considerado dos mais bonitos.
Foi erguido sobre uma colina ao norte da serra de Ossa. Construído no século XII, tem na sua história além das batalhas constantes daquela época, o fato de que a Rainha Santa Isabel nele faleceu, no ano de 1336. Hoje esse castelo é uma linda pousada, a pousada da Rainha Santa Isabel que vale a pena visitar.
Cada colina tem seu castelo.

As vinhas nessa área são da vinícula João Portugal Ramos Vinhos, uma das grandes vinículas não só do Alentejo mas de outras regiões como Douro, Beiras e Tejo.








O Senhor Bolas chegou pontualmente às nove e meia para nos pegar com um pé de pimenta malagueta como tinha prometido e um saco de sementes de salsa que ensinou interminavelmente como plantar e quando regar. E no meio do caminho tinha um monte de pés de amoras pretas o que fez ele dissertar sobre o licor de amoras que a mulher dele faz, que demora semanas, que tem que decantar por longo tempo e que é delicioso. Dos figos ele sempre reclama que os estorninhos comem. Com ele descobri que temos marmelo na saída da casa. Nunca tinha visto um pé de marmelo, agora já sei até como fazem marmelada. A colheita é em final de setembro. Será que saberei fazer uma marmelada caseira?
Marmeleiro carregado de frutos.
Passando perto do castelo ele comentou como era fácil jogar pedras de dentro da construção nos soldados invasores fazendo nossa conversa em português e inglês passar para arietes, portas levadiças, fossos e azeite fervendo. Comentando a coragem dos que tentavam tomar o castelo e do seu provável insucesso.
Dai veio a história do anão. Ele é baixo, o Senhor Bolas, mas o anão, chamado pelos amigos de São João, era muito mais baixo e vivia ansiando por uma luta braba, das épocas medievais, mas só de murros, porque ele sempre escaparia por ser mais baixo que a altura dos socos. Tenho que rir ou desligar da conversa. Mas o que está fazendo o Senhor Bolas nessa história? Pelo menos um de nossos projetos era comprar uma garrafa de aguardente de Medronho para ele, o que não se encontra em Estremoz. É quase caseira e mais comum no Algarve.
Adeus, Senhor Bolas, vamos continuar sem o senhor. Pagamos logo (já expliquei antes que logo corresponde ao próximo encontro, até logo). Portanto pagaremos na volta.


Dia de embelezamento (meu): cabelos e unhas. Meu dia semanal de dondoca.
Depois desse compromisso andamos eu e Jan à procura de coisas ou simplesmente sentamos nos seus lugares favoritos que estão se tornando meus também.
Não é lindo esse parque?
Primeiro no parque, em geral num banco à sombra de árvores. Todas as árvores nesse local tem plaquetas com o nome da espécie. E Internet grátis e rápida. Enquanto estava nas minhas lides femininas, Jan estudava português no parque. É bem cuidado, com flores e sombra. No Alentejo sombra é a palavra mágica. Abre-te sombra, apareça por favor.
Sentamos nesse banco à esquerda ou debaixo do carramanchão ao fundo.



A entrada do parque.
A vista do castelo em foto tirada no parque.
Tínhamos dois projetos: ver os preços de uma geladeira nova, aqui chamada frigorífico e comprar os três pratos azuis que faltavam para nossa parede portuguesa da cozinha.

Primeiro fomos à tenda aonde são vendidas cerâmicas típicas de Estremoz no parque principal. Coisas lindas lá, todas alentejanas, pratos, pratinhos, recipientes para azeitonas, uma espécie de colher rasa para azeite (perfeita para colecionar numa parede), vasos e alguma coisa que não sabia o que era. Uma cerâmica com abertura atrás. Para que? Para esconder as esponjas e os paninhos na cozinha. Estou arrependida de não ter comprado uma. Mas vou levar uma para o Brasil. Compramos três pratos em branco e azul para nossa parede portuguesa.
Nossa parede portuguesa.
O prato quadrado foi comprado nessa tenda no Rossio, em Estremoz assim como os três da fileira superior. O pequeno é holandês, que também em Delphos usam o mesmo azul. Os outros trouxe do Brasil o que fez Eduardo, meu filho, perguntar: "como você vai levar pratos portugueses do Brasil para Portugal?". Burrice ou presepada. Mas não, esses pratos comprei na Le Lis e em outra loja que não lembro.







Nesse grande parque, o Rossio Marquês do Pombal, onde acontece o mercado de Estremoz aos sábados, sentamos num outro banquinho, também muitas vezes para simplesmente estar ou por conta da Internet. Esse mundo moderno nos persegue, nos mata, nos sufoca. Conectar, o verbo do século.
Jan Kremer conectado no Rossio em Estremoz.
Essa praça, chamada Rossio (todas as praças em Portugal são rossios) tem um lindo coreto. Andamos pelas calçadas, sempre procurando sombras. Fomos a uma pequena loja de molduras e para nossa surpresa a esposa do dono era uma brasileira do Pará. Reconheceu minha origem recifense na hora, pelo sutaque.
Encomendei as molduras que queria e continuamos para procurar nosso objeto de desejo, até por necessidade, porque a nossa não estava gelando apropriadamente.
Coreto no Rossio Marquês do Pombal. 




Numa loja pequena encontramos um jovem português simpático e competente que nos apresentou ao agora nosso frigorífico, de uma marca italiana de lindo design: Smeg. Amor à primeira vista. Ficamos encantados com esse rapaz. Depois de terminada a compra, com um desconto excelente, que ele repassou porque tinha tido um desconto da fábrica quando vendeu uma geladeira rosa cor de bebê para uma alemã, perguntou quando a gente queria a entrega. O mais cedo possível. Posso entregar hoje, ele falou. Eram três horas da tarde. Ele então disse: vou mandar entre 7 e 8 horas da noite. Fiquei absolutamente de queixo caído com a prestreza e o profissionalismo. Elegemos essa loja para todas as nossas futuras compras. Uma porta do lado de fora, uma grande pequena loja por dentro com excelentes artigos. E atendimento exclusivo. Nas grandes lojas, tipo a Aki, o atendimento é simplesmente péssimo. os funcionários não lhe ajudam em nada.
O fantástico é que às 7 horas da noite chegou uma caminhonete com o frigorífico. Um motorista e um senhor de meia idade, baixo e forte e muito simpático. Eles dois colocaram a geladeira no lugar e levaram a outra num instante. O senhor quando soube que eu era brasileira falou logo de Maria Farinha. Recife? Ele falou que tinha ido várias vezes ao Brasil, adorava Recife, Maria Farinha (hospedou-se no Amoaras), Búzios e o Pantanal. Não gostou de Angra dos Reis. Me deu explicações sobre o funcionamento da geladeira. Pediu meu facebook e quando abriu o celular tinha uma foto de uma gostosa de biquini. Falei: "por isso o senhor gosta de Maria Farinha?". Ele respondeu que tinha sido por acaso aquela postagem do face. Insisti perguntando sobre biquinis. Ele falou: "quem não gosta? Gosto delas de biquinis mas também sem biquinis."
Traduzi para Jan, rimos todos, e nos despedimos.
Nosso amigo à esquerda, um empresário de sucesso.
Depois soube que esse senhor humilde, fazendo entregas, carregando e montando geladeiras pessoalmente era o dono dessa fantástica e moderna loja, Mira Madeira em Estremoz.
Encantada com Portugal e com os portugueses educados e solícitos. Bem humorados também.
Nossa geladeira italiana, "stainless steel" Smeg.









Para comemorar essa nova aquisição fomos para o Gadanha Mercearia, um de nossos restaurantes preferidos em Estremoz onde comi um delicioso sanduíche de rosbife com uma taça de vinho rosé alentejano e Jan um carpaccio com caviar de pimenta e um copo de cerveja.
Jan e um de seus pratos preferidos no Gadanha.

O meu sanduíche de rosbife.

Um brinde a esse país sensacional.
No Gadanha as pessoas são simpáticas, a comida é ótima, o serviço é perfeito, a decoração é criativa e de bom gosto, a chefe da cozinha é brasileira de Petrópolis. A mercearia vende produtos excelentes que sempre compramos. Geleia de pimenta, biscoitos de freiras, queijos, risoto ou pasta já com sabores especiais que só precisam de água e 6 minutos para cozinhar.
Muitos dias é bom cozinhar menos, mais rápido e sujar menos.
Nesse dia a garçonete nos perguntou: "viram o facebook do Gadanha?".
Procuramos na Internet depois que nos deram a senha do wi-fi. Jan copiando entrou logo na página. Eu ouvi e tentei sem conseguir. Senha comprida - naopiseacaudaaogato. Só que escrevia à brasileira: naopiseacaudadogato.
Nossa foto com Michele Marques a simpática chefe brasileira.


Sobre Estremoz para homens acima de 60 anos uma informação importante: os banheiros públicos estão em toda parte, impecáveis e grátis. Há a história folclórica que os jovens procuram saber das mulheres, os de meia idade dos restaurantes e os mais velhos doa banheiros públicos.
Estação ferroviária de Estremoz.
Uma construção de charme é a estação ferroviária.











Também nessa cidade adoramos fazer selfies!
Pura alegria nessas paragens alentejanas.

Referências:
Miramadeira: http://miramadeira.pt
Gadanha Mercearia: https://www.facebook.com/gadanhamercearia
Estremoz: https://pt.wikipedia.org/wiki/Estremoz
João Portugal Ramos Vinhos: www.jportugalramos.com
Castelo de Estremoz: https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Estremoz
Smeg: www.smeg.pt/


Um comentário:

  1. Adorei .... O ótimo humor do português e os famosos biquínis do Brasil, a geladeira que é lindíssima, essa taça de vinho rosé bastante chamativa, e a riqueza dos detalhes que a Sra descreve.

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